Sobre compras conscientes, trabalho escravo e moda livre

Há tempos eu venho pensando sobre como às vezes temos tanta informação sobre tecidos, modelagens e tendências, mas ao mesmo tempo, tão pouca preocupação sobre a origem disso tudo.
É obvio que não dá pra adivinhar as coisas (e muitas vezes a gente leva gato por lebre), mas algumas ferramentas podem ajudar bastante, como o app Moda Livre  (to viciada em aplicativos né?). Ele classifica as principais marcas, conforme suas pendências jurídicas. Quem me mostrou foi a Anna da Mr. Fly (que é parceira do blog e produz camisetas com material sustentável) e quando vi, adorei! Vez ou outra abro ele só pra saber como andam as coisas no mundo têxtil.

App moda livreMas acho que mais do que esses recursos, essa consciência tem que partir da gente, sabe? Desde que comecei minha Dieta Fashion, comecei a dar um valor maior pra história da roupa. De onde ela veio, no que se transformou, etc. A moda deixou de ser apenas vestimenta pra mim e passou a ter um significado mais complexo, menos descartável. Comecei a me interessar mais e perguntar onde tal peça foi fabricada, qual o tecido, o fornecedor, etc e fui percebendo também a importância da qualidade (e aí eu não to falando pagar caro por uma roupa só por causa da marca não), existem muitas coisas em conta e bem feitas, com tecido bom, caimento legal, etc. E deixei de comprar peças que eu sabia que não durariam, só porque eram muito baratinhas.
Confesso que vez ou outra já me senti super tentada a entrar num site chinês e comprar várias coisas, os preços são muito baratos e tem muita coisa bacana (pelo menos parece). Esse era um dos meus objetivos com o desafio de comprar no máximo R$100,00 com roupas no ano passado. Mas não o fiz. Resolvi tentar dar mais valor aos produtos nacionais e parar de ignorar a origem daquelas peças que, muito possivelmente, vinham de fábricas sem nenhuma condição de trabalho, com funcionários mal remunerados e tratados.
Quem não lembra do episódio da carta enviada por uma asiática confinada em uma fábrica sem nenhuma condição de trabalho? Ou do reality que levou blogueiras até a Camboja para conhecer as péssimas condições onde as roupas eram produzidas…

Moda sustentávelSão casos extremos mas que estão aí, em pleno século XXI.

Não se trata de lojas grandes ou pequenas. Poluição do meio ambiente, exploração de recursos e pessoas, são coisas que podem acontecer em qualquer lugar e a gente tem que ficar de olho.
É fácil adotar o discurso de que “eu não tenho culpa”, “não adianta eu parar de comprar porque o mercado vai continuar a existir” e “todas as outras pessoas continuam comprando porque é bem mais barato”. E ok, a gente não precisa ser radical. Mas se cada um olhasse com mais cuidado pra esse tipo de coisa e começasse a pensar a respeito, não só a moda, mas a sociedade ganharia tanto, né?

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A menina da Dieta Fashion. Adora inventar uma moda e falar sobre tudo que pega bem! Juizforana, vinte poucos anos, jornalista, empresária e apaixonada pela vida. Acredita no amor e ele está presente em tudo que faz. Como toda leonina, adora um desafio. Sonha voar por todo mundo e viver sempre aprendendo.